quinta-feira, 26 de abril de 2018

Resenha {Livro} A força que nos atrai (Brittainy C. Cherry)

Sabe aquela história que você não dá nada por ela - especialmente se for de um gênero que você não tem muito costume de ler - e no final das contas ela te surpreende, te deixando totalmente envolvida pela trama? Pois é exatamente isso que acontece com A força que nos atrai, quarto e último romance da série Elementos da norte-americana Brittrainy C. Cherry. E não se preocupe com possíveis spoilers, pois apesar deste não ser o primeiro romance da série, a história dele é totalmente independente 😉

Na trama conhecemos Lucille/Lucy, uma jovem sonhadora e que luta para manter as irmãs, Mari e Lyric, por perto após a morte da mãe. Como Lucy, a mãe das meninas sempre foi um espírito livre; sem residência fixa, passou por dificuldades ao criar as filhas sozinha, sustentando-se apenas pelo amor incondicional por elas. Porém somente o amor não era o suficiente para a mais velha das três, Lyric, que sendo a mais racional, sentia-se sempre responsável por todas, o que a levou a se afastar de Mari e Lucy após a morte da mãe. Já Mari, a mais pensativa, parecia ter reencontrado o amor na figura do marido, vivendo assim sua própria vida depois da grande perda. Mas um triste diagnóstico de câncer acaba colocando a força de Mari à prova, e assim a sempre otimista Lucy se dispõe a ficar ao lado da irmã para lhe dar toda a confiança e apoio que só uma verdadeira amiga poderia dar.

“- Maktub - sussurrei, abrançando-a bem forte. A palavra estava tatuada em nossos pulsos, e significa “está escrito”. Tudo na vida acontecia por uma razão, exatamente como tinha que ser, não importava o quanto fosse doloroso [...]”
(Brittainy C. Cherry, pp. 8-9)

O tempo passa e as duas irmãs - Lucy e Mari -, mais unidas do que nunca, enfim conseguem abrir sua tão sonhada floricultura, a Jardins de Monet. E é graças ao novo negócio das duas que Lucy conhecerá Graham Russel, o bonito e recluso escritor best-seller de quem a própria Lucy é fã.
Granham é um homem endurecido pelo tempo, alguém cujas circunstâncias da vida moldaram um caráter íntegro porém impessoal, extremante racional e focado sempre no trabalho de escritor; em outras palavras, ele é o completo oposto de Lucy.

Neste momento, a trama parecia que tomaria o tom clichê dos “opostos que se atraem” - e é isso mesmo que acontece -, mas a forma como esse amor surge é que faz toda a diferença.
Graham e Lucy possuem uma ligação que fará com que seu amor seja errado, proibido, fazendo com que ambos sofram muito mas que também tenham um crescimento pessoal incrível, tendo ainda de enfrentar situações complicadas com aqueles a sua volta e torcer para que tudo dê certo no fim.

Com personagens verossímeis e sutis toques de humor, este romance “hot-não-tão-hot-assim” (eu o classificaria mais como um drama) encanta por sua história simples e ao mesmo tempo arrebatadora.
Leia e apaixone-se também.

“[...] A vida é curta, e nunca sabemos quantos capítulos ainda restam em nossas histórias, Graham. Viva cada dia como se fosse a última página. Viva cada momento como se fosse a última palavra. Seja corajoso, meu filho. Seja corajoso.”
(Brittainy C. Cherry, p. 188)

289 páginas | 1ª edição | 2017 | Record
Compre seu livro pelo nosso link na Amazon: https://amzn.to/2FhEway








terça-feira, 24 de abril de 2018

Resenha {Livro} Ninfeias Negras (Michel Bussi)

Um assassinato terrível no meio de um lugar de grande beleza: os Jardins de Monet, em Giverny, na França. É com esta premissa que inicia o romance policial do escritor francês Michel Bussi, publicado aqui no Brasil pela editora Arqueiro.

Jérôme Morval, um renomado e respeitado oftalmologista de Giverny, é a vítima deste crime cruel. Encontrado morto num regato próximo à casa onde o pintor francês impressionista Claude Monet pintou suas famosas telas de ninfeias, o peculiar caso de assassinato do médico deverá ficar a cargo do novo chefe da polícia local, o inspetor Laurenç Sérénac, e de seu assistente, o policial Sylvio Benavides, uma dupla que nas suas diferenças aparentes se complementa e que assim tentará desvendar este misterioso assassinato que chocou e preocupa os habitantes do pacato local.

“- Não gostaria de semear o pânico no vilarejo, mas nada nesta cena de crime me parece se dever ao acaso - continua. - Não sei por quê, é quase como se isto aqui fosse uma composição, um quadro montado. Como se cada detalhe houvesse sido planejado. Este lugar específico, Giverny. A sequência dos acontecimentos. A faca, a pedra, o afogamento...”
(Michel Bussi, p. 22)

Mais do que um thriller policial, cujo foco é a descoberta da identidade do assassino, aqui temos uma história que envolve diversas personagens e suas histórias, que aos poucos se mostrarão entrelaçadas entre si, e dentre as tantas personagens da trama, três mulheres terão maior destaque: uma menininha de nome Fanette, uma jovem mulher, a professora do vilarejo, chamada Stéphanie, e uma senhora cujo nome não é revelado mas por outro lado será muito importante no decorrer dos acontecimentos da história, uma vez que será a narradora na maior parte do tempo, atuando, segundo ela mesma afirma, como uma mera observadora que tudo sabe e a quem ninguém dá muita atenção.

Com um tom mais “rebuscado”, quase como uma pintura em forma de palavras, a narrativa possui um ritmo um pouco mais lento em comparação a outras similares - o que, no entanto, não tira seu mérito de forma alguma, dando apenas mais destaque como uma narrativa diferente e envolvente aos olhos do leitor.
E assim, apresentando um desfecho bem diferente das histórias do gênero, descobrimos uma trama surpreendente e cheia de pistas que nos levarão a imaginar muitos finais alternativos (o que me fez ter ainda mais certeza da afirmação Nunca confie num narrador).
Leitura, portanto, recomendadíssima para os que gostam de histórias de suspense, romance policial e especialmente finais que te fazem ficar dias e mais dias pensando nele 😉



346 páginas | 1ª edição | 2017 | Arqueiro
Compre seu livro pelo nosso link na Amazon: https://amzn.to/2J8JXed





sábado, 21 de abril de 2018

Resenha {Livro} Corações feridos (Louisa Reid)


Rebecca e Hephzibah são duas irmãs bem diferentes uma da outra; embora sejam gêmeas, elas não se assemelham muito em aparência devido principalmente à síndrome de Treacher Collins, a qual Rebecca é portadora. Esta síndrome fez com que o rosto de Rebecca não ficasse como o dito “comum”, transformando-a numa jovem bastante tímida, introvertida, calada e mais “na dela”, que gosta muito de ler e aprender coisas novas. Já Hephzibah, por sua vez, é mais extrovertida, animada, não sofrendo os olhares discriminatórios como sua irmã, assim gostando mais de sair e se divertir com os amigos, curtindo a vida. Entretanto todos os seus sonhos e planos para o futuro terminam quando a jovem morre precocemente, deixando sua irmã gêmea arrasada e mais sozinha do que nunca.

“Agora, com a partida de Hephzi, ele se tornara mais rabugento que nunca. E amargurado. Essa raiva ácida e afiada era dirigida a mim, aquela que sobrevivera. Aquela que deveria ter morrido.”
(Louisa Reid, p. 34)

Agora Rebecca além de ter de lidar com a morte recente da irmã e o sentimento de culpa por não tê-la protegido, terá ainda de conviver mais ainda com a pressão constante dos pais, que cegos pela religião, tratam as filhas de maneira bastante dura sempre sem mostrar aos desconhecidos o que realmente fazem. O pai das meninas, o pastor Roderick, é extremamente severo com as filhas, e ao longo da trama percebemos que não é somente Rebecca a que mais sofre com suas ações - embora esta sofra muito devido à síndrome de Treacher Collins.

“A única coisa que ela não sabia a meu respeito era que minha vida era uma droga, assim como a dela. Que eu achava tudo tão difícil quanto ela [...]”
(Louisa Reid, p. 65)

E a mãe das gêmeas, Maria, não dá nenhum apoio às duas, sendo totalmente submissa às demandas do marido.

Dividida em duas partes - a primeira alternando entre o presente, sob o ponto de vista de Rebecca, e momentos do passado, antes da morte de Hephzibah morrer e narrados por esta, e a segunda, narrada somente por Rebecca e no presente -, proporcionando assim que tenhamos um vislumbre da vida das meninas desde que eram crianças, cujos momentos mais felizes eram passados com a avó, até os dias atuais, já estudando no Ensino Médio e conhecendo novas pessoas.

Uma família desestruturada pela fé mal empregada é o que encontramos neste drama difícil, cuja narrativa visceral e sem os clichês bonitos e finais felizes comuns ao gênero consegue envolver o leitor ao longo da história, levando até mesmo a pararmos a leitura para respirar um pouco e encarar a dureza das palavras nesta triste história.

253 páginas | 1ª edição | 2013 | Novo Conceito
Compre seu livro pelo nosso link na Amazon: https://amzn.to/2J8Yg2x







quinta-feira, 19 de abril de 2018

Resenha {Livro} Darkson - O pirata das trevas (Marcos Perillo)

Exemplar de cortesia com o autor para resenha

Um temível pirata anda assolando os sete mares, pilhando e assustando todos que cruzam seu caminho. Este é Darkson, “filho” de um ser terrível, que usa sua espada e seu navio especiais para aterrorizar outros navegantes.

“- Eu achei! Meu filho, meu sagrado filho! O sexto filho do sexto neto! Juntos dominaremos o céu, a terra e os mares [...] Mostre aos homens uma pequena prévia do que o mundo será quando nós formos os senhores de tudo! Vá e viva mais 33 belos anos!”
(Marcos Perillo, p. 17)

Marcado pelo puro mal desde o nascimento, o agora já homem e famoso pirata Darkson é conhecido por sua sede de sangue e desejo por dinheiro e poder. E nada parece poder pará-lo, nenhum outro ser humano parece ser capaz de tal feito.

Com menções à mitologia grega e figuras já conhecidas do imaginário popular, como o lendário pirata Barba Negra, Darkson - O pirata das trevas possui uma ideia muito boa como pano de fundo, porém acredito que ela deveria ter sido mais explorada. A história ficou meio corrida em alguns momentos, parecendo mais um conto do que um romance, funcionando melhor talvez como um livro introdutório. E outro ponto negativo foram as passagens de explicação de termos e personagens que como guias, caberiam bem num apêndice, fora da história, servindo para complementá-la quando necessário.
Entretanto o livro tem seus méritos; fora a ideia principal da trama, o prólogo foi muito bem aproveitado - a ideia do autor para a história nos é apresentada através de uma suposta conversa entre duas pessoas, sendo uma delas possivelmente o narrador -, o que prende a atenção de quem está lendo já nos momentos iniciais da leitura. E o final deixou um bom gancho para uma continuação (e assim reafirmo minha ideia deste livro servir como uma introdução para uma trama maior e espero do fundo do meu coração de leitora que o autor escreva, pois esta história tem muito potencial para melhorar 😉)

No mais, deixo aqui minha indicação de leitura rápida e ótima para aqueles que gostam de livros com e sobre piratas com toques fantásticos.

102 páginas | 1ª edição | 2016 | Novo Século Editora
Compre seu livro pelo nosso link na Amazon: 
https://amzn.to/2FeMf9m






quinta-feira, 12 de abril de 2018

Resenha {Livro} Uma dobra no tempo (Madeleine L’Engle)

Meg é uma menina um tanto teimosa e insegura, mas acima de tudo, tem um bom coração. Ama sua família, tendo um carinho especial por seu irmão mais novo, Charles Wallace, e pelo pai, o visionário cientista Murry, que desaparecera misteriosamente a alguns anos, deixando a menina bastante abalada.

“- Quando o seu pai voltar...
Voltar de onde? E quando? Era certo que a mãe sabia do que os outros vinham falando, que estava a par das fofocas metidas e maldosas. Claro que esse falatório magoava tanto a ela quanto a Meg. Mas ela não deixava transparecer. Nada abalava a serenidade de seu semblante.”
(Madeleine L’Engle, p. 10)

Numa noite de tempestade, Meg acorda assustada e logo vai procurar seu irmãozinho, que de uma inteligência e sensibilidade fora do comum, sempre acalma e conforta a irmã; e nesta mesma noite eles e a mãe dos dois, a brilhante cientista Murry, recebem a visita de uma estranha - exceto para Charles Wallace - que diz ser a Sra. Quequeé, e esta fala algo à Sra. Murry que a deixa ansiosa - e Meg, por sua vez, curiosa.
Passado algum tempo, Charles Wallace decide levar Meg ao local onde ele diz ser a cada da estranha senhora que os visitara, e no caminho eles encontram Calvin, um menino mais velho da escola de Meg, bastante inteligente - só que não tanto quanto Charles Wallace -, simpático e de bom coração, logo tornando-se amigo dos dois irmãos. Então os três partem juntos a tal casa que todos na vizinhança conheciam por ser mal-assombrada e por isso não recebera muitas visitas até então.
Chegando lá, Meg e Calvin conhecem outras duas figuras “peculiares”, as Sras. Quem e Qual, amigas da Sra. Quequeé, e assim as três, que já conheciam Charles Wallace, lhes oferecem ajuda a fim de que possam encontrar o pai de Meg, propondo-lhes que embarquem numa aventura rumo a lugares desconhecidos, onde deverão acreditar em si mesmos, usando sempre suas qualidades e mais ainda seus defeitos a seu favor.

Com claras referências tanto ao Cristianismo e à fé quanto à Ciência, mostrando que as duas podem coexistir e unirem-se (e não se anularem) em prol de um bem maior, Uma dobra no tempo proporciona uma verdadeira viagem ao leitor, tanto no que diz respeito à história em si, cujos aspectos de ficção científica atrelados à fantasia fazem com que a leitura seja prazerosa e instigante ao longo de suas páginas, quanto na maneira como a trama nos faz refletir sobre nossas ações e consequência dos nossos atos.
Uma leitura obrigatória àqueles que curtem os gêneros da ficção misturados a questões mais humanas.
Quanto à mais recente adaptação cinematográfica (Disney, 2018), posso afirmar que souberam transpor muito bem para as telas tudo o que a autora queria mostrar em sua obra, e mesmo não sendo de todo fiel, as alterações feitas não alteraram em nada a trama principal 😉

212 páginas | 1ª edição | 2017 | HarperCollins Brasil
Garanta já seu exemplar: https://amzn.to/2Hj3Sde