domingo, 29 de março de 2015

Resenha {Livro} - Dias Perfeitos (Raphael Montes)

Há sempre alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura.
- Friedrich Nietzsche

Téo é um rapaz quieto e reservado que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e as aulas na faculdade de Medicina. Sem muitos amigos, Téo mantém uma única amizade (um tanto “diferente”) em suas aulas de anatomia: Gertrudes, um cadáver.
Um dia, a pedido de sua mãe, Téo vai a um churrasco acompanhando-a e lá conhece Clarice. Ele, todo certinho e principalmente antissocial, encanta-se pela bela garota, extrovertida e meio “louquinha”.
Essa seria uma ótima história de amor repleta de clichês, não fosse pelo amor de Téo por Clarice: doentio e obsessivo.

“Ao contrário do reconforto da noite anterior, agora ele percebia como Clarice continuava distante. Se mão fizesse nada – simplesmente apagasse o contato do visor -, era possível que jamais se encontrassem de novo. Quantas vezes a vida nos coloca diante de alguém tão instigante?”
(Raphael Montes, p. 22)

Narrado em discurso indireto livre, onde o narrador não participa da história, porém dá sua opinião, sendo a favor do protagonista (Téo), o livro possui um ritmo de leitura intenso. 
As atitudes de Téo para conquistar seu “grande amor” vão tornando-se cada vez mais absurdas, mostrando a mente doentia por trás de um garoto aparentemente comum. Em determinado momento, pensei em parar a leitura por não suportar mais as circunstâncias em que se encontrava Clarice e seu algoz. Entretanto, continuei lendo, pois ao mesmo tempo em que não aguentava mais o sofrimento da jovem, queria saber que fim levaria aquele relacionamento insano.

“Estou gostando de gostar de você, Téo. Por favor, não destrua isso.”
(Raphael Montes, p. 166)

A história é um verdadeiro primor, daquelas que te fazem sentir raiva do(s) personagem(ns) e querer ler mais, saber mais! Cheio de referências à cultura popular (de Hannibal aos contos de fadas) e com um final sem dúvida subjetivo, aberto a n possibilidades, Dias Perfeitos é o livro que deve ser lido por todo leitor fã de narrativas de suspense e/ou thriller policial. E só tenho a parabenizar o escritor pela excelente história.

No ano passado, quando soube que um dos livros do ano que o clube do livro que eu participo (Clube do livro Campo Grande) seria o Dias perfeitos, do Raphael Montes, não pensei duas vezes e corri para compra-lo. Já tinha ouvido falar do autor por seu romance de estreia, Suicidas, e fiquei curiosa a respeito de seu novo livro, lançado pela Companhia das Letras. 
Pois bem: comprei meu exemplar, devorei-o, emprestei a minha mãe, dizendo que ela deveria ler esse livro o quanto antes (ela é fã de romance policial e afins) e no dia do clube do livro levei meu livrinho para garantir meu autógrafo.
Eu e Raphael Montes, meu psicopata favorito :P (brincadeira; ele é um fofo!).
Meu exemplar autografado, em meu nome e de minha mãe, que se tornou fã do autor ^-^ 

274 páginas | 1° edição | 2014 | Companhia das Letras





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