quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Resenha {Livro} - Talvez nunca mais um país (Flavio P. Oliveira)

O mundo como o conhecemos não existe mais. Após dois vírus - um que acabou com o petróleo, outro que reduziu drasticamente a população - quase levarem a humanidade à extinção, máquinas/robôs são cada vez mais comuns e até mesmo em maior número que os seres humanos.
Dentre os sobreviventes do vírus (que origina a doença de Hoosbardo), existem aqueles que são imunes, trabalhando nas sombras como salvadores dos que ainda restam (e que possuem recursos para tanto), e entre esses "salvadores" está Miguel, nosso protagonista.
Narrado de forma não-linear, intercalando o presente com fatos do passado, Miguel nos apresenta sua história, desde sua infância e adolescência com os amigos e os avós - e quando o mundo ainda não fora devastado - até os dias atuais, atuando como salvador e sonhador num mundo desolado.

"A arte ainda não morreu. Voltando para casa, vi um vândalo construindo esculturas na areia da praia, misturava as próprias fezes para conseguir uma pasta resistente. Ele me fez lembrar de Medo, a criatura mais horrenda do colégio. Velho amigo, morreu cedo e não conheceu as salas de prolongamento."
(Flavio P. Oliveira, p. 18)

Entre a constante luta pela sobrevivência, vemos o protagonista e seus amigos, colegas e pessoas próximas tentando "viver" além da mera sobrevivência, mesmo quando tudo parece perdido, ora por conta das inúmeras mortes ora pelo autoritarismo dos governantes - que piora cada vez mais assim como o mundo torna-se mais ruim de se viver.

"Não sou dos resmungões, querer mais, pois vivemos o fim dos tempos, nada melhora... Talvez esteja apenas amargurado ou depressivo. A vida passa e quem espera nunca alcança. Também não sou feliz, mas sou bem-humorado."
(Flavio P. Oliveira, p. 23)

Com uma escrita única, singular e quase poética, Flavio P. Oliveira nos mostra um futuro não tão distante numa distopia nacional bem escrita e estruturada. O mais "assustador" é que, como boa distopia que é, a história é muito real, palpável, fazendo com que nos perguntemos se aquilo pode de fato vir a acontecer caso não hajam mudanças significativas no nosso modo de pensar  e agir.

"A caça aos defensores dos regimes democráticos - gatos-pingados entre hienas raivosas, coelhos na cova de leões, punhado de nada, resquício do passado - prossegue mesmo sem guerra ou possibilidade de revolução [...]"
(Flavio P. Oliveira, pp. 73-74)

Meu exemplar autografado e o atestado de parceria com a editora Delirium *-*

O tipo de leitura que incomoda, instiga e nos prende até a última página. Agradeço muitíssimo ao autor (cuja parceria com o blog tem uns bons três anos ^-^) pelo exemplar cedido para leitura e resenha.
Leitura mais que recomendada!

237 páginas | 1° edição | 2015 | Delirium Editora




2 comentários:

  1. Adorei a resenha, obrigado pelos elogios.
    Foi difícil escolher as citações? rs
    :D

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    1. Oba \0/ Fico muito feliz que tenha gostado da resenha *-*
      E foi meio difícil sim :P

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