segunda-feira, 11 de julho de 2016

Resenha {Livro} - O doador de memórias (Lois Lowry)

Imagina viver sem dor. Imagina um lugar onde a desigualdade não existe e ninguém nem sequer ouviu falar em guerra. Perfeito, não é mesmo? Nem tanto. Se por um lado, nesse mundo criado por Lois Lowry, não há nenhum tipo de conflito, nem fome, nem frio, ou seja, tudo que há de negativo no nosso mundo; por outro, também não existe o que há de melhor na nossa realidade como desejo, alegria, Liberdade, Amor. Talvez você, leitor, conheça essa realidade da qual descrevo, caso tenha lido o livro O Doador de Memórias ou até visto o filme. 
Há séculos estava ansiosa para ler esta obra da Lowry: encantei-me pelo filme, fiquei curiosa para saber mais e cheguei ao livro (depois de séculos enrolando). E, claro, não me decepcionei com a história “distópica”.
Em apenas 192 páginas e uma linguagem extremamente cativante, relaxante (e gostosa), conhecemos a vida de Jonas. Ele é um menino entrando na adolescência que vive numa casa com seu pai, sua mãe e sua irmã. Até ai, tudo normal. Mas ele vive numa comunidade onde todos são tratados igualmente, desde o jeito até a roupa que vestem. São também extremamente regidos por regras. Aliás, eu já teria levado uma punição por usar a palavra “extremamente”, pois é forte, sem nenhuma precisão (o controle é grande até mesmo no modo de falar). Cada pessoa dessa comunidade de Jonas tem uma função, que muda a cada “idade”. E Jonas, já com 11 anos, passará por uma seleção, a mais importante – Cerimônia dos Doze – onde o Comitê de Anciãos indicarão uma atribuição para ele e outros jovens do novo grupo dos Doze. Essa “atribuição” seria a profissão que cada pessoa é indicada, sem poder escolher o que seguirá. Sem mencionar que crianças com 12 anos já são praticamente adultos. Estranho, não?! O personagem acaba sendo escolhido (mais precisão de palavras) para ser o novo Recebedor, a pessoa mais respeitada da comunidade e que raramente essa escolha ocorre. 
Conforme a história se desenrola, vemos Jonas ser treinado pelo Doador, onde o mesmo fornece para o menino várias memórias de um tempo muito distante. É a partir daí que Jonas conhece o que é a Dor, Felicidade, Tristeza, Morte e Amor. Mas nessa sua função, o menino não pode revelar nada para seus amigos nem membros de sua unidade familiar (que ele descobre ser, na verdade, sua Família, incompleta). Então, ele começa a perceber o peso de carregar segredos tão grandes, sentimentos tão fortes como a Dor e não poder dividi-los com mais ninguém. Percebe também que o modo que a comunidade vive e como foi ensinado a viver não está certo e que isso precisa mudar. 
O mais lindo dessa obra incrível são as analogias durante todo o livro. Podemos perceber o quanto a Memória é importante, pois é através dela que resgatamos pensamentos, sentimentos e sabedoria, podendo escolher o nosso caminho. (“As memórias não são apenas sobre o passado, elas determinam o nosso futuro.”) Por exemplo: o Doador – que detém todas as memórias da comunidade e do mundo no livro – diz que sempre que o Conselho se vê diante de uma situação desconhecida, ele é chamado para aconselhar já que é o único que detém o Conhecimento de fatos do passado; então pode “olhar para o passado” e tomar uma decisão que será boa para a comunidade, evitando guerras, fome e muitos outros males. E é o que vemos hoje em dia. Vamos pensar: diante de toda a crise política e econômica que o Brasil vem sofrendo, muitos “opinam” de forma errada e equivocada, estimulando até mesmo brigas entre grupos opostos; muitos se acham especialistas em História, sendo que nunca leu um livro decente referente ao assunto. Olha o caos! 
 Cenas do filme baseado no livro de Lowry

O Doador de Memórias, primeiro livro de uma série de 4, nos apresenta o quanto a Memória e o Conhecimento são importantes para a Vida. Quando Jonas passa a ter esse Conhecimento, sua Vida passa a ter Cor (literalmente; e o filme retrata muito bem essa parte). Vemos também no livro a falta de Liberdade: os personagens não são livres para tomar decisões, por mais que elas sejam escolhas ruins. "Quando as pessoas têm a liberdade de escolha, elas escolhem errado.” Eis o resumo do filme! 
Enfim, essa resenha foi muito difícil de escrever, terrivelmente tenso de passar todas minhas ideias e sentimentos para o papel (no caso, para a tela do computador). Quero, um dia, fazer um vídeo falando dessa obra incrível, espetacular. Espero que tenham gostado da resenha. Se já leu o livro: dê sua opinião. Se não leu, está na hora de ler este que foi o melhor livro que li em 2016. E vamos colocar em prática tudo o que a história nos passa: vamos ler e adquirir conhecimento e sabedoria para sair da Mesmice. 

Frase: “– Bom… – Jonas parou para refletir. – Se tudo é sempre o mesmo, então não há escolhas!  Quero acordar de manhã e decidir coisas! Hoje vou vestir uma túnica azul ou uma vermelha. – Baixou os olhos para si, para o tecido sem cor de sua roupa. – Mas é tudo igual, sempre.  
Então riu um pouco. – Sei que não importa o que a gente veste. Não faz diferença. Mas… 
– Poder escolher é que é importante, não é? – perguntou o Doador. Jonas concordou.” 
(Louis Lowry, p. 86)

Malfeito feito.

192 páginas | 1° edição | 2014 | Arqueiro




2 comentários:

  1. Um distopia muito interessante!
    Eu não li o livro só assisti ao filme, mas tenho curiosidade por ler este e todos.
    Adorei a resenha.
    Beijos,
    Juliana.
    http://www.fabulonica.com/

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