quinta-feira, 20 de julho de 2017

Resenha {Livro} Jardins da Lua (Steven Erikson)

Sinopse: Desde pequeno, Ganoes Paran decidiu trocar os privilégios da nobreza malazana por uma vida a serviço do exército imperial. O que o jovem capitão não sabia, porém, era que seu destino acabaria entrelaçado aos desígnios dos deuses, e que ele seria praticamente arremessado ao centro de um dos maiores conflitos que o Império Malazano já tinha visto.
Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de ­Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite. O local ainda resiste à ocupação malazana e é a joia cobiçada pela imperatriz Laseen, que não está disposta a estancar o derramamento de sangue enquanto não conquistá-lo.
Porém, em pouco tempo fica claro que essa não será uma campanha militar comum: na Cidade do Fogo Azul não está em jogo apenas o futuro do Império Malazano, mas estão envolvidos também deuses ancestrais, criaturas das sombras e uma magia de poder inimaginável.
Livro cedido em parceria com a editora Arqueiro para resenha ♡

Confuso e incrível na mesma medida! A meu ver, esta é a melhor descrição desta obra.
Uma narrativa de alta fantasia (que apresenta um mundo novo e diferente do nosso, com suas leis e regras, seres e raças próprios), o romance Jardins da lua, de Steven Erikson, que inicia a saga d’O livro Malazano dos Caídos, tem tudo (e mais um pouco) para conquistar os leitores amantes de histórias fantásticas recheadas de ação, aventura, magia, intrigas, conflitos de interesse, amizade e companheirismo, e mais outras tantas características que permeiam a trama. E se você gosta dos jogos de RPG, melhor ainda, pois como o autor afirma antes da história, o mundo de Malaz (local onde se passa a narrativa) nasceu num jogo de RPG, rendendo mais tarde não somente as histórias escritas pelo próprio como também outra saga, escrita por I. C. Esslemont, amigo de Erikson, que inicia com o romance Noite das facas (publicado no Brasil pela editora Cavaleiro Negro), dando também ideias para os novos jogadores (como eu, que comecei a jogar RPG de mesa com meus amigos este ano ^-^).
Com uma estrutura semelhante à de uma novela literária, onde diversas histórias de vários personagens - chamadas núcleos - entrelaçam-se, misturando-se e formando uma trama ainda mais grandiosa, a história de Erikson pode parecer bem caótica num primeiro momento (eu mesma fiquei bem perdida até meados do livro), mas no decorrer da leitura - e com bastante persistência - passamos a compreender melhor tudo o que está acontecendo ali, especialmente se recorrermos ao apêndice que vem após a história e à lista de personagens no começo do livro (só não recomendo fazer isso a todo momento para não comprometer o fluxo da leitura), além dos mapas dos locais presentes na história e das ilustrações dos personagens no interior da capa e da contracapa, que dão um charme ao livro como um todo.
Parte de um dos mapas e ilustrações de alguns personagens

Enfim, acredito que esse livro será apreciado pela maioria das pessoas que o ler, embora precise de foco e determinação para concluir a leitura, pois ao final sabemos que terá valido à pena.

"[...] O império de Lassen era uma sombra do Primeiro Império. A diferença era que os imass infligiam genocídio a outras espécies. Malaz matava a própria. A humanidade não evoluíra desde a era negra dos imass: rodopiara para baixo"
(Steven Erikson, p. 400)

598 páginas | 1ª edição | 2017 | Arqueiro






terça-feira, 18 de julho de 2017

{Curiosidades Literárias} 44 ou 43 pores do sol em "O pequeno príncipe"?

Há mais ou menos uns dois meses, resolvi me arriscar em ler O pequeno príncipe em francês pra praticar o idioma enquanto não começo outro curso, e enquanto lia, uma passagem do livro despertou bastante minha curiosidade...

“- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e quatro vezes!
E um pouco mais tarde acrescentaste:
- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr de sol...”
(Antoine de Saint-Exupéry, p. 25)

Na edição brasileira, o Principezinho afirma ter visto 44 pores do sol, mas quando eu li esse trecho em francês, ele afirmava ter visto 43 pores do sol, como é possível ver a seguir:

“– Un jour, j’ai vu le soleil se coucher quarante-trois fois !
Et un peu plus tard tu ajoutais :
– Tu sais… quand on est tellement triste on aime les couchers de soleil…”
(Antoine de Saint-Exupéry, pp. 26-27)

Isso me fez pensar que a edição brasileira poderia ter cometido algum erro, mudando de quarenta e três para quarenta e quatro; só que não satisfeita, fui fazer algumas pesquisas na Internet e eis que encontro um artigo bem interessante onde dizia-se que a mudança ocorreu na primeira tradução do inglês, cuja tradutora na época pode ter feito isso para homenagear o autor, que estava com 44 anos quando veio a falecer.
Quanto a isso, ainda não podemos ter muita certeza, mas uma teoria bem interessante também estava neste artigo explicando o motivo pelo qual Exupéry escreveu 43 pores do sol ainda em francês...

Como uma verdadeira lição de história, Exupéry teria feito uma referência ao 43º pôr do sol livre da França, ou seja, o último dia de liberdade do país no começo dos anos 1940, ano em que os nazistas invadiram França, Bélgica, Luxemburgo e os Países Baixos. Por isso que o Pequeno Príncipe, em alusão ao próprio autor, estava tão triste no dia em que vira os 43 pores do sol em seu planeta - ou seja, no 43º pôr do sol, 43º dia livre de seu país.
Exupéry veio a falecer durante a Segunda Guerra Mundial e infelizmente nunca viu seu país livre outra vez, já que após escrever O pequeno príncipe, retornara à Europa para lutar.

Embora seja uma história bem triste, é uma aula de história e tanto... E assim temos cada vez mais surpresas com esta incrível e inspiradora história.

Bibliografia:

Ocean on tuesday https://oceanontuesday.wordpress.com/2012/04/25/why-43-sunsets-in-the-little-prince/ Acesso em: 09/07/2017.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O pequeno príncipe. 48. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2009.

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. Le petit prince.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Resenha {Livro} O ceifador (Neal Shusterman)

Vamos falar de um livro fantástico: O Ceifador. Ele nos leva à um mundo futurístico onde o que nós conhecíamos como a “nuvem” se tornou uma inteligência artificial com consciência, a Nimbo-Cúmulo.
Depois que essa inteligência artificial ganhou consciência, não existe mais governo, pois ela tirou todo político do poder, toda a renda é bem distribuída, não existindo mais pessoas pobres ou ricas com todos em uma condição financeira equiparada. Agora o mundo vive sem assaltos, roubos, assassinatos ou homicídios.
A tecnologia avançou tanto que as pessoas já não morrem mais; existem pessoas com cerca de 200 anos de idade, desde a chamada Era da Mortalidade, onde o mundo ainda era como o nosso, e essas pessoas podem ir a um centro de rejuvenescimento e voltar a ter até 21 anos de idade.
E como não morrem? Existem os centros de revificação, onde uma pessoa que tenha morrido por algum tipo de acidente pode ser revivificada, voltando assim a vida, e por isso, com ninguém mais morrendo de fato, foram criados os ceifadores, que são como uma seita, onde os mesmos têm licenças para coletar, ou seja, matar, onde eles usam um parâmetro único de cada um para realizar essas coletas, com um número certo para se coletar, sem a interferência da Nimbo-Cúmulo; e é aí que mora o perigo...

Essa é a base do livro, mas ele se torna mais interessante e bem movimentado por ter muita intriga, conspirações e contar a história de dois personagens, Citra e Rowan, que se tornam aprendizes de ceifadores (ambos de um mesmo ceifador, Faraday), e por ele ter escolhido dois aprendizes, acaba não sendo visto com bons olhos pela Ceifa, já que cada ceifador tem direito a um aprendiz, tornando o que já era perigoso mais perigoso ainda. E não para por aí: a cada capítulo acontece uma reviravolta, a personalidade dos personagens muda, eles crescem e encontram dificuldades, aprendem e caem de novo e a cada página você se apaixona mais e mais pela história deles.

Com muita espada, fogo, venenos, tiroteio e facadas, O Ceifador tornou-se um livro interessantíssimo, superando todas as minhas expectativas! Fantástico e bem estruturado, com início, meio e fim bem definidos e com aquele gostinho de quero mais.
Super recomendo!!

448 páginas | 1ª edição | 2017 | Seguinte





quinta-feira, 6 de julho de 2017

Resenha {Livro} - Olga Benario Prestes: Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo (Anita Leocadia Prestes)

Falar de Olga Benario Preste é sempre, para mim, muito prazeroso e suspeito. 
Conheci essa mulher no final dos meus tenros 13 anos de idade, logo após assistir ao famoso filme do diretor Jayme Monjardim. Diga-se de passagem que, até então, nunca havia ouvido sobre a alemã de olhos azuis e que conquistaram alguns corações na sua juventude e confesso que fui assistir à película somente pela atriz Camila Morgado. Não preciso dizer que sai da sala do cinema louca para comprar o livro que havia inspirado Monjardim. 
Por sorte, meus pais sempre me incentivaram a ler, ganhando, assim, muitos livros deles e, eis que em setembro, no meu aniversário, ganhei a biografia escrita por Fernando Morais. 
Não vou entrar em detalhes deste livro, pois não é o foco. Só saibam que é muito bom e muito bem escrito. Leiam!
Capa da edição de 2004

Em abril de 2015, os arquivos da Gestapo, que estavam com os soviéticos desde o fim da guerra, começaram a ser digitalizados e foram disponibilizados na internet. Assim, foi encontrado oito dossiês sobre Olga Benario chamado de “Processo Benario” constando de, mais ou menos, 2 mil folhas. 
Nesse processo de abertura e digitalização, a historiadora Anita Leocadia Prestes se debruçou sobre esse tesouro afim de rever a história da comunista alemã, proporcionando fatos inéditos tanto à História do Brasil quanto a sua própria, já que é filha de Olga com o líder, político, comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes. 
O livro, “Olga Benario Prestes: Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo”, começa dando uma breve explicação de quem foi Olga, uma comunista alemã que escoltou Prestes de Moscou ao Brasil e teve uma filha com ele; foram presos em 1936 acusados de participação na “Intentona Comunista” (como ficou conhecido pejorativamente a Revolta de 1935 – tentativa de derrubar o governo Vargas) e nunca mais se viram.
Livro novo sobre a Olga

Depois da breve apresentação, Anita Prestes entra de fato na prisão e deportação da mulher, então grávida de 7 meses, e na tentativa dos familiares de salvar Benario e sua filha das garras nazistas. Sabemos que a pequena Anita conseguiu ser “resgatada” pela avó e pela tia paterna e por uma intensa campanha a favor da libertação delas, mas Olga foi mandada para um campo de concentração para mulheres e assassinada em abril de 1942. Todos os pedidos de libertar Olga e enviá-la para o México, foram em vão; é possível ver em diversos documentos a recusa da Gestapo em libertar a mulher dizendo que era uma “comunista fanática” e muito perigosa e autorizar o aumento de trabalhos forçados, proibir a comunicação por carta entre ela e seus familiares brasileiros.  
É muito interessante conhecer fatos novos sobre esta grande mulher como a causa “oficial” da morte de Olga: como a Gestapo não podia dizer que matava as prisioneiras, registrava como causas de mortes por alguma doença e que teria sido feito de tudo para salvar essas prisioneiras. Era costume também avisar a família da prisioneira e podemos ver que a mãe de Olga foi avisada, mas provavelmente não se importou já que não reconhecia mais a mesma como filha. Em contrapartida, a família de Prestes, seu marido, não foram avisado e o homem só soube da morte da esposa no final da guerra, em 1945. 
O livro ainda trás, no final, algumas imagens e algumas cartas inéditas onde podemos nos emocionar com o amor que Olga sentia pela filha (e a tristeza por não poder criá-la) e o amor, carinho, respeito e saudade entre Carlos Prestes e ela. Ambos se despendem, em todas as cartas, “com carinho todo amor e muitas saudades”. 
Foto à esqueda, Anita Leocadia Prestes mais velha e à direita, ela criança

É muito triste saber que seres humanos separaram famílias, mataram pessoas inocentes. Olga foi apenas uma dessas vítimas do nazismo. Como afirma a autora, “seu martírio deveria servir de exemplo para que não se permita que tais horrores venham a se repetir.” (Anita Leocadia Prestes, p. 80)

Frase: “Se outros se tornam traidores, eu jamais o serei.” (Olga Benario Prestes).

144 páginas | 1ª edição | 2017 | Boitempo





quinta-feira, 29 de junho de 2017

Resenha {Livro} O visconde que me amava (Julia Quinn)

Começou uma nova temporada de bailes - e casamentos - em Londres, onde jovens moças estão debutando e em busca de um bom marido (junto de suas mães). E não poderia ser diferente para as meio-irmãs Kate e Edwina Sheffield.
Após a morte do pai das jovens damas, Mary, mãe de Edwina e madrastre (que de má não tem nada) de Kate, foi a Londres junto das filhas para que elas encontrem bons pretendentes a futuros maridos. A mais jovem, Edwina, espera encontrar um bom marido na cidade, alguém que como ela goste de ler, que seja um erudito. Já Kate, sempre prática, não está exatamente em busca de um amor: ela quer conhecer os pretendentes da irmã para saber se o escolhido será alguém digno da jovem, um homem honrado, que ame Edwina como ela merece, que não seja um libertino (principalmente isso!) e que cuja situação financeira seja suficiente para o sustento de Edwina, já que o falecido pai delas não fora um homem rico, tampouco nobre, e portanto não lhes deixara um dote - algo importante na época -; e com todas essas preocupações em mente, Kate espera primeiro ajudar e irmã para então pensar nela mesma.
Anthony Bridgerton, primogênito da viscondessa Violet e de seu falecido marido, Edmund Bridgerton, está decidido a se casar agora que está perto de completar 30 anos (mais próxima da idade que seu amado pai tinha quando viera a falecer). Anthony deseja arrumar uma esposa que lhe dará um bom herdeiro, embora saiba que não irá amá-la realmente, e com a recente chegada da bela Edwina Sheffield à cidade, ele está disposto a conquista-la de qualquer maneira. Só que para isso ele terá que antes agradar Kate, que sabendo da fama de libertino do visconde, de certo tentará impedir que esta união aconteça.

“Kate cerrou os olhos e prometeu a si mesma que aquele homem nunca se casaria com sua irmã. Seus modos eram extremamente frios e ele tinha um ar superior [...]”

Acostumado a conseguir o que quer, porém, sendo sempre decidido e determinado, Anthony tentará mostrar a Kate que ele não é exatamente o famoso monstro libertino local. Mas será que suas investidas resultarão naquilo que ele espera (casar-se com Edwina)? 
Muito romance, desejo e surpresas envolvendo as famílias das personagens principais aguardam o leitor neste segundo volume da série Os Bridgertons, que mais uma vez conseguiu me conquistar por sua leveza numa história de amor sem ser piegas (ufa!).

Ambientada ainda no princípio do século XIX em Londres, a história conquista pelos detalhes referentes àquela época, os costumes locais - em especial no que se refere ao casamento -, mostrando-se até informativo às vezes (amo!!!). Além disso, aqui é possível descobrir mais detalhes sobre a grande família Bridgerton - que a cada página lida me deixava mais encantada -, e é claro a presença da sempre irreverente Lady Whistledown, inteirando a todos sobre as “novidades” que envolvem os Bridgertons e demais membros da sociedade.

Deixo aqui então minha dica de leitura super apaixonante - e mal posso esperar para ler o terceiro volume dessa série viciante *-*

288 páginas | 1ª edição | 2013 | Arqueiro



quinta-feira, 22 de junho de 2017

{Curiosidades literárias} “Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão!” - quatro formas de dizer “Outros”

Neste mês (junho) estamos comemorando os 20 anos de lançamento da primeira edição de Harry Potter and the Philosopher’s Stone pela editora Bloomsbury, responsável pela publicação dos livros da série Harry Potter no Reino Unido, e por isso, o Pottermore (site oficial da saga do bruxinho) promoveu o Wizarding World Book Club (leia o post sobre ele clicando aqui), e eu resolvi participar lendo a série Harry Potter em inglês dessa vez - o que está sendo um desafio e tanto e ao mesmo tempo uma surpresa maravilhosa - e enquanto lia Harry Potter and the Socerer’s Stone (edição americana, da editora Scholastic), me deparei com a seguinte fala de Dumbledore:

“Welcome to a new year at Hogwarts! Before we begin our banquet, I would like to say a few words. And here they are: Nitwit! Blubber! Oddment! Tweak!”
(Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, Scholastic, 2013)

E na edição brasileira, da editora Rocco, ficou assim:

“- Sejam bem-vindos! – disse. – Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado.”
(Harry Potter e a Pedra Filosofal, Rocco, 2000)

Como as palavras "Nitwit", "Blubber", "Oddment" e "Tweak" eram novas pra mim, resolvi pesquisa-las a fim de descobrir suas traduções literais e o significado de cada uma (e bato palmas pra Lia Wyler pela excelente adaptação para o português, que já foi inclusive elogia pela própria Rowling). Mas voltando às palavras, enquanto pesquisava sobre ela, achei um artigo bem interessante num site destinado ao universo Potterhead que trazia uma teoria sobre a escolha dessas quatro palavrinhas do nosso eterno diretor Alvo Dumbledore; e por isso resolvi traduzir o artigo para vocês. Vamos lá?!
Essas quatro palavras de Dumbledore, em seu discurso após a seleção das casas em Pedra Filosofal, impressionaram Harry (e também a Sra. Rowling) a ponto dele lembrar delas no funeral do diretor em Enigma do Príncipe.
O contexto de seu discurso é a seleção dos primeiro-anistas para suas respectivas casas. E apesar de soar estranho, Alvo Dumbledore parece fazer um apontamento importante sobre as divisões que foram feitas e as identidades que estes estudantes tomarão. Em resumo, cada uma dessas quatro palavras é um “rebaixamento” que uma casa poderia usar para descrever “outra” (qualquer um que não faça parte de sua nova casa).
- “Pateta” (Nitwit): Corvinal (Ravenclaw) é a casa das bruxas e dos bruxos de grande inteligência. Como uma regra, as “crianças de Rowena” (estudantes da casa de Rowena Corvinal) julgarão como “patetas” aqueles que não foram selecionados como membros de seu seleto grupo ou os iniciantes (no sentido de ter pouca inteligência).
- “Chorão” (Bubbler): “bubbler” é uma plavra usada em inglês (como gíria) no sentido de “gordo”; crianças usam-na de forma pejorativa com seus colegas que estão acima do peso e possivelmente são menos atléticos. Grifinória (Gryffindor), casa dos atletas ou “de fraternidade” (jock and frat house) vê os demais como menos atléticos ou menos corajosos; dessa forma, alguém com onze anos provavelmente achou que “bubbler” (ou “chorão”, em português *) teria significado suficiente (àqueles que fossem diferentes).
* Na edição brasileira, o “chorão” provavelmente é para designar alguém sem coragem, bravura ou ousadia. 
- “Desbocado” * (Oddment): Essa (oddment) é uma palavra do vocabulário de costura e tecido (ou corte e costura); significa resto de roupas, uma sobra sem tamanho suficiente para se fazer algo significante. Sonserinos (Slytherins) são amantes de “sangue-puro”, “totalidade” e “integridade”. Assim, “outro” para um Sonserino é qualquer bruxo ou bruxa nascido com pureza (de sangue) insuficiente, o que faria desse bruxo ou bruxa uma “sobra” ou até mesmo alguém sem valor.
* Na edição brasileira, o “desbocado” também poderia significar impureza ou falta de nobreza, falando assim fora da norma culta, usando um vocabulário informal ou até de baixo calão.  
- “Beliscão” (Tweak): Lufa-Lufa (Hufflepuff) é a casa de Hogwarts daqueles da comunidade mágica que não são inteligentes, corajosos ou puros o bastante para as três casas citadas anteriormente. Como sugere Malfoy na loja Madame Malkin em Pedra Filosofal, eles parecem ser da casa que ninguém quer estar, e sucesso de Cedrico em Cálice de Fogo é visto como algo inusitado para um Lufano. Esse parece ser o entendimento dos Lufanos sobre si. Eles olham para os “outros” e veem “excesso” ou “desequilíbrio”, e não “excelência” e “virtudes” que lhes faltam. Lufanos são bruxos e bruxas “pés no chão”, humildes e pessoas reais. Os “outros” precisam ser beliscados ou ajustados para remover seus excessos e serem assim trazidos para a média (no sentido de serem normais ou comuns), que como Aristóteles ensinara, é onde a virtude realmente está.
O diretor não faz um discurso longo sobre a decepção por eles terem sido divididos e em breve verão a si como melhores que seus amigos, que infelizmente foram selecionados para as “outras” casas. Como um bom professor de linguística pós-moderna (ou alguém a frente de seu tempo), ele percebe que o Chapéu Seletor é uma forma de metanarrativa (uma narrativa dentro da própria narrativa) ou do Grande Mito daquilo que é o verdadeiro vilão de seu mundo (a divisão da comunidade mágica), e “joga” isso numa frase cômica para aqueles capazes de escutar além do que ele dissera.
Como Harry atua como Quintessência (o melhor, mais apurado, essencial) para as quatro casas e para os quatro irmãos mágicos (os fundadores de Hogwarts), e, portanto, estava destinado a seu papel como “O eleito”, não foi por acidente que essas quatro palavras permaneceram com ele. Aqui fica a esperança de que ele dê sentido à lição aprendida em Relíquias da Morte * a fim de unir o Mundo Mágico contra Lord Voldemort.
* Artigo de março de 2007

Essa teoria ainda não foi confirmada pela J.K. Rowling (infelizmente), mas como nós, leitores da saga do “Menino que Sobreviveu”, sabemos um pouco da fama dos sentidos por trás das falas de Dumbledore (e de muitos outros personagens criados por ela), é bem capaz dessa teoria ser verdadeira - pelo menos em parte...
Bibliografia:

Hogwarts Professor http://www.hogwartsprofessor.com/nitwit-blubber-oddment-tweak-four-words-for-other/ Acesso em: 19/06/2017.
ROWLING, J.K. Harry Potter e a pedra filosofal. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
ROWLING, J.K. Harry Potter and the sorcere’s stone. USA: Scholastic, 2013.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Resenha {Livro} O Amor nos Tempos de #Likes (Bel Rodrigues, Pam Gonçalves, Hugo Francioni, Pedro Pereira)

Sinopse: Os tempos mudaram, mas e o amor? Continua a dar aquele frio na barriga e fazer os jovens atravessarem quilômetros para viver uma paixão? Em O Amor nos Tempos de #Likes, quatro booktubers se inspiram em três histórias da literatura para criar suas versões de contos românticos na era digital. Uma bela, jovem e famosa youtuber com medo do amor; um casal inesperado em um encontro às escuras (literalmente) e dois meninos apaixonados por livros tentando entender quem são e o que querem são os protagonistas destes contos que evocam Orgulho e Preconceito, Dom Casmurro e Romeu e Julieta.
Essa coletânea de contos foi feita pelos amigos Pam, Bel, Pedro e Hugo, booktubers conhecidos nessa categoria de canais do Youtube. Pedro e Hugo, sendo namorados, escreveram um dos contos juntos, somente intercalando quem escrevia o ponto de vista de cada personagem, formando assim os três contos.

O livro foi vendido com a ideia de uma releitura de grande clássicos da literatura, mas em nosso tempo atual; porém, devido a minha falta de leitura de clássicos (fazendo assim ser uma vergonha na vida de leitora) só o que consegui ver foi aparentemente leves referências para haver a identificação de qual seria o clássico de cada conto.

Entretanto, se tirar o elemento “releitura”, foi uma boa leitura, e acho que isso somente foi possível por eu acompanhar os devidos canais, já que esse foi o motivo por ter comprado o livro. Terminei a leitura bem rápido (em um dia) e até senti falta dos personagens no final, ficando aquele “gosto de quero mais”, que é o que mata todo leitor!

O elemento principal do livro é o amor, tendo sido inclusive seu evento de lançamento aqui no Rio na véspera do dia dos namorados de 2016, além da questão de “como seguir em frente e arriscar quebrando padrões nas nossas vidas”, uma das coisas mais corajosas que podemos fazer com a gente, principalmente no mundo que estamos vivendo, que só tende a ficar pior.
Por fim, vale destacar a sutil ligação entre as histórias dos contos, dando assim maior singularidade à coletânea como um todo.

272 páginas | 1ª edição | 2016 | Galera Record



quinta-feira, 8 de junho de 2017

Resenha {Livro} O duque e eu (Julia Quinn)

O duque e eu, primeiro livro da série Os Bridgertons, da diva dos romances de época Julia Quinn, apresenta Simon Basset, o duque de Hastings, e Daphne Bridgerton, filha mais velha (das mulheres) da viscondessa Violet, matriarca da grande família Bridgerton.
Após anos viajando ao redor do mundo, o duque está de volta a Londres. E sendo um jovem detentor de um título de nobreza, espera-se que ele se case, formando uma família e tendo assim um herdeiro. Mas acontece que os planos de Simon não incluem casamento e herdeiros - frustrando os planos das mães das moças solteiras que estão debutando na temporada -, compartilhando seu real desejo com seu amigo, Anthony Bridgerton, o irmão mais velho de Daphne.

Daphne, por sua vez, está na “época” de casar.  Sua mãe anseia desesperadamente ver a mais velha de suas filhas casadas - até porque depois de Daphne ela tem ainda outras três filhas para casar -; e da mesma forma, Daphne também quer se casar e constituir uma família. A jovem espera, no entanto, encontrar alguém que a ame como seu pai amou sua mãe, alguém que seja especial para ela, não apenas um rapaz bonito, rico e idiota como os que ela tem encontrado. E tendo ainda certa experiência com homens graças ao convívio com seus irmãos - pelo menos no que diz respeito ao comportamento -, ela espera ficar longe de homens como o duque, que anda tendo fama de metido e arrogante.
Até que os dois se conhecem; e num “arranjo” para ajudarem-se mutuamente - ele para ficar longe das moças solteiras e ela para atrair os olhares dos rapazes solteiros da região - acabam formando uma bela amizade.

“- Sempre achei que a principal regra da amizade fosse não flertar com a irmã do amigo.
- Ah, mas eu não estou flertando, estou apenas fingindo flertar.”

Daphne é bem diferente das outras moças de sua época (eu diria até que ela é a frente de seu tempo). Sempre decidida e determinada, não é do tipo “donzela em perigo”, o que cativa o duque de imediato e o faz repensar alguns conceitos sobre casamento e família, mesmo que para isso ela tenha que enfrentar fantasmas de seu passado. Será então que o amor irá surgir? E se surgir, as coisas serão tão fáceis como dizem? Isto, só o desfecho desta linda história nos dirá...

Estou encantada por esta história (e pelo romance de época também, que eu sempre tive boas recomendações, mas nunca tinha parado pra ler). A escrita da Julia é envolvente e me conquistou logo nas primeiras páginas (o que perdurou até as últimas), e eu já estou apaixonada por toda a família Bridgerton 
Pretendo ler ainda este ano mais alguns livros da série e depois quem sabe partir para os romances de época de outros autores, porque eu estou maravilhada por esse gênero *-*

Uma história encantadora, com um romance fofo sem ser muito meloso (melhor coisa) e que ainda se passa na Inglaterra do século XIX. Impossível não amar!

288 páginas | 1ª edição | 2013 | Arqueiro



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Leia (ou releia) Harry Potter com o Pottermore: Wizarding World Book Club

Neste mês (junho) comemoramos os 20 anos do lançamento da primeira edição de Harry Potter e a pedra filosofal (Harry Potter and the philosopher’s stone) no Reino Unido pela editora Bloomsbury. E para celebrar esta data tão importante para os Potterheads, o site Pottermore resolveu criar o Wizarding World Book Club (Clube de Leitura do Mundo Bruxo, em tradução livre), que de acordo com o próprio site é "um clube online gratuito para debater todos os livros da série Harry Potter." (Fonte: Pottermore).

E eu, como boa Potterhead que sou, não poderia ficar de fora dessa *-*


Já havia comentado na Fanpage e no Insta sobre o clube de leitura e a minha participação - aproveitar pra reler a série agora em inglês -, e agora que junho está aí (yeah \0/) mal posso esperar para começar a (re)leitura dessa série maravilhosa.
O Pottermore ainda criou uma conta oficial no Twitter para o clube de leitura (acesse clicando aqui), onde é possível acompanhar leitores do mundo todo fazendo suas leituras da saga do Menino que sobreviveu, além de uma página exclusiva no site destinada às discussões do clube.

Gostou da ideia e quer participar também? Pois saiba que é bem simples: basta se cadastrar no Pottermore (se já tive cadastro, é só acessar sua conta), ter os livros da série Harry Potter (vale físico ou ebook), e começar a ler (ou reler) a série.
Então, o que você está esperando?! Vamos todos ler (ou reler) Harry Potter \0/


Bibliografia:
https://www.pottermore.com/news/wizarding-world-book-club-coming-soon-to-pottermore Acesso em: Maio/2017
https://twitter.com/wwbookclub Acesso em: Maio/2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

Resenha {Livro} - Silêncio (Becca Fitzpatrick)

Atenção! Esta resenha poderá conter spoilers dos livros anteriores. Leia por sua conta em risco ;)
Confira também as resenhas de:
- Sussurro
- Crescendo

Em Silêncio, terceiro volume da série Hush Hush, nos deparamos com uma Nora sem uma memória sequer dos últimos cinco meses, o que está lhe afetando consideravelmente...

"[...] A verdade era que nunca me sentiria segura e nunca teria meu mundo de volta enquanto não conseguisse me lembrar do que acontecera nos últimos cinco meses, em particular nos últimos dois meses e meio [...] Eu não tinha passado nem futuro. Apenas um grande vácuo que me atormentava."
(Becca Fitzpatrick, p. 32)

Nora não se lembra sequer de Patch - quem ele é e o que representa para ela -, ao mesmo tempo em que não lembra dos acontecimentos passados que envolvem ela e seu grande amor.
Por outro lado, o famoso Mão-Negra - o grande vilão da história que neste momento já fora revelado - está enfim conseguindo enfim coloca seus planos em prática, o que afetará não apenas Nora e quem lhe é mais próximo - com quem o vilão está de certa forma envolvido -, mas também a todos os anjos e arcanjos se ele for bem sucedido.

A premissa da história é bem interessante, mas o seu desenvolvimento... deixo muito a desejar na minha opinião. Achei a trama toda bem "parada" e previsível em diversos momentos, conseguindo me prender a atenção apenas lá para o final, quando a ação de fato aconteceu (e por isso avaliei-o como "mediano"), e os personagens me irritaram, o que também não ajudou durante a leitura.
Enfim, espero que no próximo e último livro da série, Finale, as coisas melhores, porque sinceramente... para mim não funcionou :/

301 páginas | 1ª edição | 2011 | Intrínseca


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Não entre em pânico: Chegou o Dia da Toalha!

Salve, salve, nerds! Chegou o tão esperado Dia da Toalha \0/
Mas afinal, o que seria o tão comentado Dia da Toalha?! Calma que eu vou explicar.
No dia 25 de maio de 2001, após o recente falecimento do escritor americano Douglas Adams, autor da aclamada "trilogia de cinco livros" O guia do mochileiro das galáxias, série literária de ficção científica referência na cultura nerd e geek que usa do nonsense para abordar diversas questões da nossa sociedade, como economia, capitalismo e política, narrando as "aventuras" do humano Artur Dent após a destruição do planeta Terra, seus fãs resolveram criar a data para homenagear o criador da aclamada saga. E assim nasceu o Dia da Toalha. 
Mas porque "Dia da Toalha", afinal?! A resposta é simples: pois a toalha ficou marcada nos livros da série por ser descrita como um objeto versátil e bastante útil a os mochileiros e viajantes de plantão.
Achou estranho? Então veja a seguir alguns modos de usar uma toalha
Assim, fãs da série literária ao redor do mundo todo fazem suas singelas homenagens carregando suas toalhas exclusivamente no dia 25 de maio, e em algumas cidades são organizados diversos eventos para falar da cultura nerd/geek e sempre relembrar do legado literário que Adams deixou para todos nós.

Então agora que você já sabe do que se trata o Dia da Toalha, pegue a sua, vá ler os livros (que eu super recomendo) e principalmente: não entre em pânico!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Precisamos falar sobre os Clássicos do Cinema

Quem nunca leu um gibi da Turma da Mônica? Acho que todos ou, pelo menos, a maioria. Muitas pessoas, como eu, aprenderam a ler com os gibis do Senhor Mauricio de Sousa e, assim, se apaixonaram pelo mundo literário. Confesso que até hoje, quando sobra aquele dinheiro no final do mês, vou até à banca e compro um gibi, geralmente da Mônica ou do Penadinho.
“Mas Moony, você não ia falar sobre os clássicos do cinema? O que a Turma da Mônica tem haver com isso?!”, vocês devem estar se perguntando. Não sei se todos conhecem, contudo os quadrinhos da Mônica tem uma série especial parodiando as maiores bilheterias de Hollywood, como Titanic e Senhor dos Anéis.
Edição n° 5 (2007). Eu preciso dessa revista!

A primeira edição saiu em abril de 2007 pela editora Panini e o título foi a paródia sobre o filme Jurassic Park, com o nome Horacic Park. O sucesso foi tão grande que em fevereiro desse ano saiu a edição 55 com o tema Harry Potter e a Câmara Secreta: Cascão Porker e a Câmera Secreta. Aqui, abro uma pequena reclamação para a produção do Mauricio de Sousa: esperamos quase 8 anos para ler a segunda edição do Cascão Porker. 8 ANOS EM AZKABAN!!! (Capitão América está orgulhoso de mim.)
Importantes características das histórias da Mônica e sua turma são os trocadilhos que sempre aparecem nos gibis e que arrancam muitas gargalhadas dos leitores.
“Lóqui”. Kkkkkkk

E os Clássicos do Cinema estão lotados desses trocadilhos e paródias, começando pelos títulos: Titônica, O Exterminador de Coelhinho Sem Futuro, Coelhada nas Estrelas e Planeta dos Coelhinhos são apenas alguns dos 55 títulos que a Panini e a Mauricio de Sousa Produções já lançaram.
Recentemente, para celebrar dez anos de publicação, a editora Panini apresentou uma nova coleção, que traz coletâneas de histórias agrupadas por temas e encadernadas em edição de luxo, com capa dura e miolo em papel couché.
“O primeiro volume tem como convidado especial o Horácio, com a trilogia do Mundo Jurássico reunida num livro mais que especial. Nesta paródia dos filmes de dinossauros, a Turma vive aventuras hilariantes publicadas originalmente nas edições 1, 2 e 12 da revista bimestral (Horacic Park, Imundo Perdido e Horacic Park III). A edição traz ainda uma galeria de 10 páginas com imagens de artes, esboços e curiosidades.”, de acordo com o site Astro Geek.
E esse final de semana, acabei ganhando de presente do namorado essa edição. É linda e maravilhosa e provavelmente levarei para o Mauricio de Sousa autografar na Bienal do Livro ou na CCXP. O livro tem esboço dos desenhos e, no final, possui uma galeria com algumas imagens dos personagens.
Um ponto bastante interessante para mim é quando o Cascão desce de paraquedas na página 132 e o Dudu (e eu) pergunta onde ele arrumou aquele objeto e o Cascão responde que foi na página 115 com o Zé Caveirinha. E só então reparei que ele realmente pegou o paraquedas – não havia percebido esse detalhe quando passei pelo último quadrinho da 115.
Para você que também se interessou e pretende iniciar mais essa coleção ou apenas comprar aqueles com os clássicos mais importantes para você, o encadernado custa quase R$ 32,00 no site da Saraiva e o lançamento é quadrimestral, sendo o próximo lançamento em julho.

“Malfeito feito.”

Bibliografia: 
Astro Geek http://astrogeek.co/colecao-classicos-do-cinema-turma-da-monica-ganha-coletaneas-capa-dura/ Acesso em: 14/05/2017
Guia dos Quadrinhos http://www.guiadosquadrinhos.com/capas/classicos-do-cinema-turma-da-monica/cl011100 Acesso em: 14/05/2017
Saraiva Online http://www.saraiva.com.br/turma-da-monica-classicos-do-cinema-9449135.html


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Resenha {Livro} - Única filha (Anna Snoekstra)

Livro cedido pela editora HarperCollins Brasil e pela escritora Frini Georgakopoulos para resenha 

Romance de estreia da escritora australiana Anna Snoekstra, Única filha narra a história de Rebecca (Bec) Winter, uma adolescente que fora sequestrada em 2003 e 11 anos depois reaparecera repentinamente. Mas esta não é a verdadeira Bec... Para não ir à prisão, outra jovem bastante parecida fisicamente e que em numa idade aproximada da que desaparecida teria agora, declara ser Bec, indo então parar na casa da garota fazendo se passar por ela.

“- Meu nome é Rebecca Winter. Onze anos atrás, eu fui sequestrada.”
(Anna Snoekstra, p.7)

Porém as coisas não serão tão fáceis quanto ela imaginava. Apesar da família e de Rebecca acreditar nela, a polícia deverá continuar realizando as investigações para descobrir a identidade do sequestrador da jovem, o que poderá colocar os planos da impostora em risco. Além disso, a “nova Bec” sente que há algo de errado ao seu redor, achando que alguém a está seguindo e que este alguém é provavelmente  a mesma pessoa que levara Rebecca mais de uma década atrás.

Alternando a narrativa entre a verdadeira Rebecca dias antes de ser dada como desaparecida em 2003 e o presente (2014, na narrativa) com a suposta Rebecca de volta a seu lar, a trama prende o leitor de tal forma que logo ao terminar um capítulo já dá vontade de ler outro e mais outro para descobrir o que está por vir, uma vez que os “tempos” são intercalados entre os capítulos (uma sacada bem legal da autora, em minha opinião).

Sem dúvida este e um thriller/suspense que irá agradar aos leitores dos gêneros por conter as características mais marcantes deste tipo de história, como as reviravoltas e situações inesperadas até os últimos momentos. E se você, como eu, gosta de ler o livro antes de assistir ao filme, aproveite para ler logo, pois os direitos da história já foram vendidos para o cinema (porém sem previsão de estreia por enquanto). Portanto, leitura mais do que recomendada!

252 páginas | 1ª edição | 2017 | HarperCollins Brasil






terça-feira, 16 de maio de 2017

Resenha {Livro} - As mentiras de Locke Lamora (Scott Lynch)

Ganhei esse livro da minha amiga e resenhista aqui do blog (obrigada, Nessa ) no ano passado e logo o coloquei nas metas de leitura deste ano porque queria ler mais livros do gênero fantasia e aventura. E minha nossa, que aventura!!!

Em As mentiras de Locke Lamora, primeiro livro da série Nobres Vigaristas e romance de estreia do escritor americano Scott Lynch, somos apresentados ao jovem Locke e seus amigos e “parceiros de golpes”: Calo e Galdo Sanza, Jean e Pulga, integrantes do grupo dos Nobres Vigaristas.

"- Ou seja, nós somos os ladrões dos ladrões e fingimos ser ladrões que trabalham para um ladrão para outros ladrões - disse Pulga."
(Scott Lynch, p. 40)

A história começa apresentando o protagonista (Locke) ainda criança, um dos órfãos treinados pelo Aliciador para realizar pequenos furtos na cidade. O único problema era que Locke não era como as outras crianças e adolescentes “criados” pelo Aliciador, que se contentavam em roubar apenas o que lhes era designado: ele criava golpes astutos mirabolantes, apesar da pouca idade, e roubava até os oficiais, o que certamente causaria problemas futuros para o Aliciador. Assim, o homem decide entregar o menino ao Padre Correntes, que vendo seu potencial, decide integra-lo ao seu grupo de Nobres Vigaristas, ensinando-o não apenas a realizar grandes golpes, mas também a se comportar como um nobre ou um estudioso de Camorr, cidade onde se passa a trama.

"- Porque algum dia, Locke Lamora, você vai jantar com barões, condes e duques. Vai jantar com mercadores, almirantes, generais e damas de todo tipo! E quando isso acontecer... - Correntes segurou com dois dedos o queixo de Locke e inclinou a cabeça do menino até seus olhos se encontrarem - os pobres idiotas não farão a menor ideia de que na verdade estão comendo com um ladrão."
(Scott Lynch, p. 90)

Passada parte da infância dele, temos então um Locke já adulto junto de seus amigos Jean, Calo, Galdo e Pulga, bem treinado por Correntes e agora comandando os Nobres Vigaristas, que estão prestes a realizar outro grande golpe contra Dom Salvara, um nobre de Camorr. Com uma trama bem elaborada onde o grupo se passaria por outras pessoas, praticamente atuando como atores profissionais, tudo parecia estar dando certo para Lamora e cia. Porém seus planos poderão ter problemas com a chegada do misterioso Rei Cinza à cidade, que andara ameaçando desde os nobres a Capa Barsavi, que é quem realmente comanda a cidade, política e economicamente falando, especialmente os ladrões (ou ladinos) como Locke e os outros; e é a partir deste ponto que a história toma outro rumo que não apenas o do golpe dos Nobres Vigaristas, numa trama repleta de ação e reviravoltas de tirar o fôlego fazendo com que viremos as páginas cada vez mais rápido para saber o que virá em seguida.
Fan art linda do grupo. Da esquerda para a direita: Jean, Pulga, Locke e os irmãos Calo e Galdo

No princípio achei a história um pouco arrastada, mas isso se devia à leitura que eu havia feito anteriormente, do mesmo gênero desta (fantasia e aventura), então foi culpa minha mesmo, e não da história (e agora eu descobri que não funciono com leituras seguidas no mesmo gênero).
Divagações a parte, o livro é incrível em todos os sentidos, desde a construção das personagens únicas - menção honrosa aos irmãos Sanza, sempre bem humorados - a forma da própria narrativa, que alterna entre o passado de Locke e os demais e o presente, mostrando como todos esses personagens se tornaram quem são hoje, e por fim a história em si, que tem início, meio e fim bem definidos, encerrando a aventura sem deixar pontas soltas (embora dê abertura para outras histórias que virão).

Assim sendo, recomendo muito este livro a todos que amam uma boa aventura e principalmente histórias bem escritas. E agora mal vejo a hora de poder ler o próximo livro da série, Mares de sangue, e embarcar numa nova jornada dos Nobres Vigaristas *-*

453 páginas | 1ª edição | 2014 | Arqueiro