quinta-feira, 22 de junho de 2017

{Curiosidades literárias} “Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão!” - quatro formas de dizer “Outros”

Neste mês (junho) estamos comemorando os 20 anos de lançamento da primeira edição de Harry Potter and the Philosopher’s Stone pela editora Bloomsbury, responsável pela publicação dos livros da série Harry Potter no Reino Unido, e por isso, o Pottermore (site oficial da saga do bruxinho) promoveu o Wizarding World Book Club (leia o post sobre ele clicando aqui), e eu resolvi participar lendo a série Harry Potter em inglês dessa vez - o que está sendo um desafio e tanto e ao mesmo tempo uma surpresa maravilhosa - e enquanto lia Harry Potter and the Socerer’s Stone (edição americana, da editora Scholastic), me deparei com a seguinte fala de Dumbledore:

“Welcome to a new year at Hogwarts! Before we begin our banquet, I would like to say a few words. And here they are: Nitwit! Blubber! Oddment! Tweak!”
(Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, Scholastic, 2013)

E na edição brasileira, da editora Rocco, ficou assim:

“- Sejam bem-vindos! – disse. – Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado.”
(Harry Potter e a Pedra Filosofal, Rocco, 2000)

Como as palavras "Nitwit", "Blubber", "Oddment" e "Tweak" eram novas pra mim, resolvi pesquisa-las a fim de descobrir suas traduções literais e o significado de cada uma (e bato palmas pra Lia Wyler pela excelente adaptação para o português, que já foi inclusive elogia pela própria Rowling). Mas voltando às palavras, enquanto pesquisava sobre ela, achei um artigo bem interessante num site destinado ao universo Potterhead que trazia uma teoria sobre a escolha dessas quatro palavrinhas do nosso eterno diretor Alvo Dumbledore; e por isso resolvi traduzir o artigo para vocês. Vamos lá?!
Essas quatro palavras de Dumbledore, em seu discurso após a seleção das casas em Pedra Filosofal, impressionaram Harry (e também a Sra. Rowling) a ponto dele lembrar delas no funeral do diretor em Enigma do Príncipe.
O contexto de seu discurso é a seleção dos primeiro-anistas para suas respectivas casas. E apesar de soar estranho, Alvo Dumbledore parece fazer um apontamento importante sobre as divisões que foram feitas e as identidades que estes estudantes tomarão. Em resumo, cada uma dessas quatro palavras é um “rebaixamento” que uma casa poderia usar para descrever “outra” (qualquer um que não faça parte de sua nova casa).
- “Pateta” (Nitwit): Corvinal (Ravenclaw) é a casa das bruxas e dos bruxos de grande inteligência. Como uma regra, as “crianças de Rowena” (estudantes da casa de Rowena Corvinal) julgarão como “patetas” aqueles que não foram selecionados como membros de seu seleto grupo ou os iniciantes (no sentido de ter pouca inteligência).
- “Chorão” (Bubbler): “bubbler” é uma plavra usada em inglês (como gíria) no sentido de “gordo”; crianças usam-na de forma pejorativa com seus colegas que estão acima do peso e possivelmente são menos atléticos. Grifinória (Gryffindor), casa dos atletas ou “de fraternidade” (jock and frat house) vê os demais como menos atléticos ou menos corajosos; dessa forma, alguém com onze anos provavelmente achou que “bubbler” (ou “chorão”, em português *) teria significado suficiente (àqueles que fossem diferentes).
* Na edição brasileira, o “chorão” provavelmente é para designar alguém sem coragem, bravura ou ousadia. 
- “Desbocado” * (Oddment): Essa (oddment) é uma palavra do vocabulário de costura e tecido (ou corte e costura); significa resto de roupas, uma sobra sem tamanho suficiente para se fazer algo significante. Sonserinos (Slytherins) são amantes de “sangue-puro”, “totalidade” e “integridade”. Assim, “outro” para um Sonserino é qualquer bruxo ou bruxa nascido com pureza (de sangue) insuficiente, o que faria desse bruxo ou bruxa uma “sobra” ou até mesmo alguém sem valor.
* Na edição brasileira, o “desbocado” também poderia significar impureza ou falta de nobreza, falando assim fora da norma culta, usando um vocabulário informal ou até de baixo calão.  
- “Beliscão” (Tweak): Lufa-Lufa (Hufflepuff) é a casa de Hogwarts daqueles da comunidade mágica que não são inteligentes, corajosos ou puros o bastante para as três casas citadas anteriormente. Como sugere Malfoy na loja Madame Malkin em Pedra Filosofal, eles parecem ser da casa que ninguém quer estar, e sucesso de Cedrico em Cálice de Fogo é visto como algo inusitado para um Lufano. Esse parece ser o entendimento dos Lufanos sobre si. Eles olham para os “outros” e veem “excesso” ou “desequilíbrio”, e não “excelência” e “virtudes” que lhes faltam. Lufanos são bruxos e bruxas “pés no chão”, humildes e pessoas reais. Os “outros” precisam ser beliscados ou ajustados para remover seus excessos e serem assim trazidos para a média (no sentido de serem normais ou comuns), que como Aristóteles ensinara, é onde a virtude realmente está.
O diretor não faz um discurso longo sobre a decepção por eles terem sido divididos e em breve verão a si como melhores que seus amigos, que infelizmente foram selecionados para as “outras” casas. Como um bom professor de linguística pós-moderna (ou alguém a frente de seu tempo), ele percebe que o Chapéu Seletor é uma forma de metanarrativa (uma narrativa dentro da própria narrativa) ou do Grande Mito daquilo que é o verdadeiro vilão de seu mundo (a divisão da comunidade mágica), e “joga” isso numa frase cômica para aqueles capazes de escutar além do que ele dissera.
Como Harry atua como Quintessência (o melhor, mais apurado, essencial) para as quatro casas e para os quatro irmãos mágicos (os fundadores de Hogwarts), e, portanto, estava destinado a seu papel como “O eleito”, não foi por acidente que essas quatro palavras permaneceram com ele. Aqui fica a esperança de que ele dê sentido à lição aprendida em Relíquias da Morte * a fim de unir o Mundo Mágico contra Lord Voldemort.
* Artigo de março de 2007

Essa teoria ainda não foi confirmada pela J.K. Rowling (infelizmente), mas como nós, leitores da saga do “Menino que Sobreviveu”, sabemos um pouco da fama dos sentidos por trás das falas de Dumbledore (e de muitos outros personagens criados por ela), é bem capaz dessa teoria ser verdadeira - pelo menos em parte...
Bibliografia:

Hogwarts Professor http://www.hogwartsprofessor.com/nitwit-blubber-oddment-tweak-four-words-for-other/ Acesso em: 19/06/2017.
ROWLING, J.K. Harry Potter e a pedra filosofal. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
ROWLING, J.K. Harry Potter and the sorcere’s stone. USA: Scholastic, 2013.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Resenha {Livro} O Amor nos Tempos de #Likes (Bel Rodrigues, Pam Gonçalves, Hugo Francioni, Pedro Pereira)

Sinopse: Os tempos mudaram, mas e o amor? Continua a dar aquele frio na barriga e fazer os jovens atravessarem quilômetros para viver uma paixão? Em O Amor nos Tempos de #Likes, quatro booktubers se inspiram em três histórias da literatura para criar suas versões de contos românticos na era digital. Uma bela, jovem e famosa youtuber com medo do amor; um casal inesperado em um encontro às escuras (literalmente) e dois meninos apaixonados por livros tentando entender quem são e o que querem são os protagonistas destes contos que evocam Orgulho e Preconceito, Dom Casmurro e Romeu e Julieta.
Essa coletânea de contos foi feita pelos amigos Pam, Bel, Pedro e Hugo, booktubers conhecidos nessa categoria de canais do Youtube. Pedro e Hugo, sendo namorados, escreveram um dos contos juntos, somente intercalando quem escrevia o ponto de vista de cada personagem, formando assim os três contos.

O livro foi vendido com a ideia de uma releitura de grande clássicos da literatura, mas em nosso tempo atual; porém, devido a minha falta de leitura de clássicos (fazendo assim ser uma vergonha na vida de leitora) só o que consegui ver foi aparentemente leves referências para haver a identificação de qual seria o clássico de cada conto.

Entretanto, se tirar o elemento “releitura”, foi uma boa leitura, e acho que isso somente foi possível por eu acompanhar os devidos canais, já que esse foi o motivo por ter comprado o livro. Terminei a leitura bem rápido (em um dia) e até senti falta dos personagens no final, ficando aquele “gosto de quero mais”, que é o que mata todo leitor!

O elemento principal do livro é o amor, tendo sido inclusive seu evento de lançamento aqui no Rio na véspera do dia dos namorados de 2016, além da questão de “como seguir em frente e arriscar quebrando padrões nas nossas vidas”, uma das coisas mais corajosas que podemos fazer com a gente, principalmente no mundo que estamos vivendo, que só tende a ficar pior.
Por fim, vale destacar a sutil ligação entre as histórias dos contos, dando assim maior singularidade à coletânea como um todo.

272 páginas | 1ª edição | 2016 | Galera Record



quinta-feira, 8 de junho de 2017

Resenha {Livro} O duque e eu (Julia Quinn)

O duque e eu, primeiro livro da série Os Bridgertons, da diva dos romances de época Julia Quinn, apresenta Simon Basset, o duque de Hastings, e Daphne Bridgerton, filha mais velha (das mulheres) da viscondessa Violet, matriarca da grande família Bridgerton.
Após anos viajando ao redor do mundo, o duque está de volta a Londres. E sendo um jovem detentor de um título de nobreza, espera-se que ele se case, formando uma família e tendo assim um herdeiro. Mas acontece que os planos de Simon não incluem casamento e herdeiros - frustrando os planos das mães das moças solteiras que estão debutando na temporada -, compartilhando seu real desejo com seu amigo, Anthony Bridgerton, o irmão mais velho de Daphne.

Daphne, por sua vez, está na “época” de casar.  Sua mãe anseia desesperadamente ver a mais velha de suas filhas casadas - até porque depois de Daphne ela tem ainda outras três filhas para casar -; e da mesma forma, Daphne também quer se casar e constituir uma família. A jovem espera, no entanto, encontrar alguém que a ame como seu pai amou sua mãe, alguém que seja especial para ela, não apenas um rapaz bonito, rico e idiota como os que ela tem encontrado. E tendo ainda certa experiência com homens graças ao convívio com seus irmãos - pelo menos no que diz respeito ao comportamento -, ela espera ficar longe de homens como o duque, que anda tendo fama de metido e arrogante.
Até que os dois se conhecem; e num “arranjo” para ajudarem-se mutuamente - ele para ficar longe das moças solteiras e ela para atrair os olhares dos rapazes solteiros da região - acabam formando uma bela amizade.

“- Sempre achei que a principal regra da amizade fosse não flertar com a irmã do amigo.
- Ah, mas eu não estou flertando, estou apenas fingindo flertar.”

Daphne é bem diferente das outras moças de sua época (eu diria até que ela é a frente de seu tempo). Sempre decidida e determinada, não é do tipo “donzela em perigo”, o que cativa o duque de imediato e o faz repensar alguns conceitos sobre casamento e família, mesmo que para isso ela tenha que enfrentar fantasmas de seu passado. Será então que o amor irá surgir? E se surgir, as coisas serão tão fáceis como dizem? Isto, só o desfecho desta linda história nos dirá...

Estou encantada por esta história (e pelo romance de época também, que eu sempre tive boas recomendações, mas nunca tinha parado pra ler). A escrita da Julia é envolvente e me conquistou logo nas primeiras páginas (o que perdurou até as últimas), e eu já estou apaixonada por toda a família Bridgerton 
Pretendo ler ainda este ano mais alguns livros da série e depois quem sabe partir para os romances de época de outros autores, porque eu estou maravilhada por esse gênero *-*

Uma história encantadora, com um romance fofo sem ser muito meloso (melhor coisa) e que ainda se passa na Inglaterra do século XIX. Impossível não amar!

288 páginas | 1ª edição | 2013 | Arqueiro



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Leia (ou releia) Harry Potter com o Pottermore: Wizarding World Book Club

Neste mês (junho) comemoramos os 20 anos do lançamento da primeira edição de Harry Potter e a pedra filosofal (Harry Potter and the philosopher’s stone) no Reino Unido pela editora Bloomsbury. E para celebrar esta data tão importante para os Potterheads, o site Pottermore resolveu criar o Wizarding World Book Club (Clube de Leitura do Mundo Bruxo, em tradução livre), que de acordo com o próprio site é "um clube online gratuito para debater todos os livros da série Harry Potter." (Fonte: Pottermore).

E eu, como boa Potterhead que sou, não poderia ficar de fora dessa *-*


Já havia comentado na Fanpage e no Insta sobre o clube de leitura e a minha participação - aproveitar pra reler a série agora em inglês -, e agora que junho está aí (yeah \0/) mal posso esperar para começar a (re)leitura dessa série maravilhosa.
O Pottermore ainda criou uma conta oficial no Twitter para o clube de leitura (acesse clicando aqui), onde é possível acompanhar leitores do mundo todo fazendo suas leituras da saga do Menino que sobreviveu, além de uma página exclusiva no site destinada às discussões do clube.

Gostou da ideia e quer participar também? Pois saiba que é bem simples: basta se cadastrar no Pottermore (se já tive cadastro, é só acessar sua conta), ter os livros da série Harry Potter (vale físico ou ebook), e começar a ler (ou reler) a série.
Então, o que você está esperando?! Vamos todos ler (ou reler) Harry Potter \0/


Bibliografia:
https://www.pottermore.com/news/wizarding-world-book-club-coming-soon-to-pottermore Acesso em: Maio/2017
https://twitter.com/wwbookclub Acesso em: Maio/2017